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Aviso de trovoada do IPMA mudou: leia quatro sinais

A cor já não resume apenas a previsão de descargas elétricas. Chuva numa hora, diâmetro do granizo e rajada máxima entram agora na leitura, sem significar que todos os fenómenos vão ocorrer no mesmo local.

Placa de relâmpago entre tubo de chuva, granizo e manga de vento, os quatro sinais do aviso do IPMA.
Ilustração conceptual dos fenómenos agora considerados no aviso de trovoada; não representa um aviso ativo nem uma tempestade real. Imagem gerada por IA

Um aviso de trovoada passou a dizer mais do que o nome sugere. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera anunciou em 17 de agosto uma revisão dos critérios: além da distribuição espacial e temporal das descargas elétricas, a classificação passa a considerar precipitação intensa, rajadas fortes e granizo. É uma mudança confirmada no sistema de avisos, não a indicação de que existe neste momento uma trovoada em todo o país.

A distinção é prática. Uma pessoa que olhasse apenas para o símbolo do relâmpago podia interpretar a cor como uma medida da quantidade de raios. A nova tabela liga a trovoada aos fenómenos severos que a podem acompanhar. Para decidir sobre uma viagem curta, trabalho ao ar livre, uma atividade desportiva ou a preparação de uma varanda, a pergunta útil passa a ser: que fenómenos estão incluídos, em que nível e durante que intervalo?

Quatro sinais, uma cor

O primeiro sinal continua a ser a atividade elétrica prevista. Os outros três são medidos de formas diferentes: precipitação acumulada numa hora, diâmetro do granizo e rajada máxima do vento. A cor junta estas dimensões numa leitura de perigo esperado. Não é uma pontuação simples, nem permite transformar um distrito inteiro numa previsão exata para cada rua.

O próprio IPMA escreve que existem “condições favoráveis” para fenómenos localizados e apresenta os elementos com a formulação “como”. Isso importa: a lista descreve o tipo de cenário que cabe em cada nível, não exige que chuva, granizo, rajada e descargas ocorram todos ao mesmo tempo. Também não confirma que um dano já aconteceu. A localização e a intensidade de uma célula de trovoada podem variar dentro da área abrangida.

O que muda do amarelo para o laranja

No nível amarelo, a tabela contempla condições favoráveis a fenómenos meteorológicos localizados, incluindo precipitação localmente forte entre 10 e 20 milímetros numa hora, granizo com diâmetro inferior a 2 centímetros e rajadas entre 70 e 90 quilómetros por hora. Na legenda geral do sistema, amarelo significa uma situação de risco para determinadas atividades dependentes do estado do tempo e pede acompanhamento da evolução.

No laranja, o cenário passa a fenómenos severos localizados: precipitação entre 20 e 40 milímetros numa hora, granizo com pelo menos 2 centímetros e rajadas iguais ou superiores a 90 quilómetros por hora. A legenda classifica o risco como moderado a elevado e remete para a evolução meteorológica e para as orientações da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil. Estes limiares ajudam a comparar níveis; não são uma promessa de que o valor máximo será atingido no seu endereço.

Para o vermelho, o IPMA descreve fenómenos extremos localizados com potencial para impactos elevados: precipitação de pelo menos 40 milímetros numa hora, granizo de grandes dimensões e rajadas muito destrutivas. A tabela não fixa ali um diâmetro exato para o granizo nem uma velocidade numérica para a rajada. Acrescentar esses números por aproximação seria criar uma precisão que a fonte oficial não fornece.

Chuva numa hora não é a chuva do dia

O intervalo de uma hora é parte do critério. Dez milímetros concentrados rapidamente e dez milímetros distribuídos por muitas horas não descrevem o mesmo fenómeno. Ao ler uma aplicação ou uma previsão diária, não compare diretamente o total do dia com a banda do aviso de trovoada. Procure o detalhe oficial do aviso, que identifica o parâmetro, o período de validade e, quando disponível, a descrição do cenário.

O mesmo cuidado vale para o granizo. A fronteira dos 2 centímetros separa os exemplos amarelo e laranja na tabela, mas não transforma uma pedra recolhida depois do evento num método pessoal para classificar retroativamente o aviso. O aviso é uma previsão operacional emitida antes ou durante a situação; a observação num ponto não representa automaticamente o distrito inteiro.

A cor do mapa pode esconder outro parâmetro

A página de avisos é apresentada por distrito ou região e cobre fenómenos adversos previstos ou observados nas 72 horas seguintes. Quando existem avisos para dois ou mais parâmetros com níveis diferentes, o distrito aparece no mapa com a cor do parâmetro de risco mais elevado. Isso significa que olhar apenas para a cor geral pode omitir um segundo aviso com outra intensidade.

Abra o distrito em vez de guardar apenas uma captura do mapa nacional. Confirme a linha de trovoada e verifique se existem também avisos de precipitação, vento, calor, nevoeiro ou agitação marítima. Um aviso de trovoada revisto pode incorporar chuva, granizo e rajada no seu próprio critério, mas isso não elimina a existência de avisos separados para outros parâmetros quando o IPMA os emite.

O relógio da página está em UTC

O IPMA assinala que toda a informação da linha temporal dos avisos é apresentada em horas UTC. Em agosto, a hora civil não tem o mesmo desfasamento no continente, na Madeira e nos Açores. Em vez de assumir que o número mostrado é a hora do relógio local, confirme a conversão para a região onde está e releia o início e o fim do intervalo antes da atividade ou deslocação.

A hora também impede que um aviso antigo continue a circular como se estivesse ativo. Uma imagem partilhada sem data, parâmetro e intervalo perde o contexto essencial. O caminho mais seguro é reabrir a página oficial, escolher o distrito ou o tipo de aviso e consultar a atualização mais recente. Se houver instruções da proteção civil, do município ou dos serviços de emergência, essas orientações locais prevalecem sobre uma interpretação feita a partir do mapa geral.

Uma rotina de leitura em quatro passos

Primeiro, identifique a sua área no detalhe do distrito ou região. Segundo, abra o aviso de trovoada e leia os fenómenos associados, sem reduzir tudo ao relâmpago. Terceiro, compare a cor com as bandas oficiais de chuva numa hora, granizo e rajada, lembrando que são cenários localizados e não certezas ponto a ponto. Quarto, confirme o intervalo UTC e procure atualizações ou instruções locais antes de tomar uma decisão.

Esta rotina não substitui uma previsão local, uma ordem municipal ou a observação das condições no terreno. Também não pede alarme sempre que aparece amarelo. Serve para fazer o contrário: trocar uma cor isolada por uma leitura proporcional do fenómeno, do lugar e do tempo. É aí que a revisão do IPMA ganha utilidade para o leitor: o aviso de trovoada passa a representar melhor o conjunto de riscos que pode acompanhar uma célula severa.

Nota editorial. Critérios e páginas oficiais verificados em 21 de agosto de 2026 às 12:12 UTC. Os avisos, intervalos e orientações podem mudar: consulte o IPMA e as autoridades locais antes de decidir.

Fontes

  1. IPMA, “IPMA atualiza critérios do aviso meteorológico de trovoada”, notícia de 17 de agosto de 2026 sobre o âmbito e o estatuto da revisão.
  2. IPMA, “Critérios de Emissão dos Avisos Meteorológicos”, tabela oficial para trovoada, precipitação, granizo e rajada por nível de aviso.
  3. IPMA, “Guia de Utilização dos Avisos Meteorológicos”, escala de cores, horizonte de 72 horas e apresentação de vários parâmetros por distrito.
  4. IPMA, página de Avisos Meteorológicos, linha temporal atualizada por distrito/região e indicação de que os horários são apresentados em UTC.

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Rafael Gomes, Editor, edição em português na Sona News
Escrito por
Rafael Ferreira
Editor sénior, Edição portuguesa, Sona News

Rafael Gomes edita a edição em português da Sona News e cobre economia, tecnologia e clima para leitores lusófonos.

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