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Portugal alarga vacina gratuita da gripe às crianças dos 2 aos 4 anos

A campanha começa a 30 de setembro. As famílias devem contactar a unidade de saúde; idade, local de vacinação e eventual segunda dose exigem confirmações diferentes.

Seringa ilustrativa com tampa numa bandeja diante de cadeiras infantil e adulta, simbolizando o alargamento da vacinação gratuita contra a gripe em Portugal.
A elegibilidade gratuita passa a abranger as crianças dos 2 aos 4 anos; ilustração conceptual, não registo de uma vacinação. Imagem gerada por IA

Em Portugal, as crianças dos 2 aos 4 anos, inclusive, passam a ter acesso gratuito à vacina contra a gripe na campanha que começa a 30 de setembro. Para as famílias, a mudança tem uma consequência imediata: confirmar o local de vacinação e o histórico da criança, em vez de repetir automaticamente o percurso do ano passado.

O alargamento foi anunciado pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) e consta da norma atualizada da Direção-Geral da Saúde (DGS). A campanha está prevista até 31 de março de 2027. Na data de publicação deste artigo, ainda não começou: as regras estão publicadas, mas a disponibilidade de marcação deve ser confirmada localmente.

A novidade são os 2 aos 4 anos; a faixa abrangida começa aos 6 meses

A Norma n.º 006/2026 inclui na vacinação gratuita por idade todas as crianças dos 6 meses aos 4 anos, inclusive. O que muda nesta época é a entrada das crianças dos 2 aos 4 anos, também quando são saudáveis. O acesso nesta faixa etária não depende de ter uma doença de risco.

Isso não significa vacinação gratuita por idade para qualquer criança. A partir dos 5 anos, é preciso verificar outros critérios, como patologias de risco ou determinados contextos de vulnerabilidade. Também não se deve aplicar esta regra a bebés com menos de 6 meses. Se a criança está perto de uma mudança de faixa etária, confirme a situação com a unidade de saúde ao marcar.

Para crianças, o primeiro contacto não é a farmácia

A norma define um circuito próprio: as crianças abrangidas pela gratuitidade são vacinadas nas unidades do SNS ou em hospitais e clínicas dos setores privado e social que sejam pontos de vacinação autorizados. Ser uma clínica privada não basta; é necessário confirmar que participa neste circuito.

Comece por contactar a unidade de saúde e perguntar como está a organizar as sessões. No SNS, cabe às unidades assegurar o agendamento e a convocatória quando necessária. Antes de faltar ao trabalho ou deslocar a criança, confirme data, local e documentos pedidos. O anúncio nacional da campanha não equivale a uma marcação nem garante atendimento sem agendamento.

As farmácias comunitárias aderentes têm um papel importante, mas o circuito gratuito ali descrito é para adultos: pessoas dos 60 aos 84 anos e, como alargamento desta campanha, pessoas dos 18 aos 59 anos com patologias de risco elegíveis. A vacinação infantil não segue automaticamente o local onde os avós costumam ser vacinados.

Uma ou duas doses? O histórico importa

Outra mudança exige atenção: na primeira vacinação contra a gripe, as crianças dos 6 aos 23 meses passam a ter recomendação de duas doses. Para esta norma, primeira vacinação significa não existir qualquer história anterior de vacinação contra a gripe. Ter recebido outras vacinas do calendário infantil não responde a essa pergunta.

Nas crianças saudáveis dos 2 aos 4 anos, o quadro da DGS prevê uma dose, mesmo na primeira vacinação. Porém, para crianças dessa idade com patologias de risco ou pertencentes a contextos vulneráveis, prevê duas doses na primeira vacinação; com vacinação prévia, prevê uma. Existem ainda situações específicas relacionadas com o convívio com pessoas de elevado risco.

A conclusão prática não é calcular o esquema em casa: é levar o histórico disponível e confirmar com o profissional se haverá necessidade de regressar. Se não souber se a criança já recebeu vacina da gripe, diga-o. Não confunda a novidade sobre duas doses nos mais pequenos com uma regra de duas doses para todas as crianças abrangidas pelo alargamento.

Gripe e COVID-19 começam juntas, mas não têm os mesmos critérios

A campanha contra a COVID-19 também começa a 30 de setembro. O resumo publicado pelo INEM em 24 de setembro destaca uma alteração diferente: a recomendação sazonal por idade passa dos 60 para os 70 anos, mantendo critérios clínicos e de vulnerabilidade. Na gripe, a elegibilidade gratuita por idade continua a começar aos 60 anos para os adultos.

Há uma ressalva importante na Norma n.º 007/2026: pessoas dos 60 aos 69 anos podem solicitar a vacina contra a COVID-19 após ponderação individual do benefício e do risco, numa unidade de saúde ou farmácia comunitária. Para essa possibilidade, não é exigida avaliação prévia pelo médico assistente nem declaração médica de elegibilidade. O novo limiar não é uma proibição absoluta abaixo dos 70 anos.

Para uma criança saudável dos 2 aos 4 anos, o acesso gratuito à vacina da gripe não significa indicação automática para a vacina contra a COVID-19. São normas distintas. A possibilidade de administrar ambas no mesmo momento também não substitui a verificação da elegibilidade para cada uma.

Há ainda um terceiro programa a distinguir: a imunização pediátrica contra o vírus sincicial respiratório (VSR). Segundo o Governo, usa um anticorpo monoclonal e tem critérios próprios para bebés e crianças com risco acrescido. Não é a vacina da gripe nem uma alternativa a ela. Se a família recebeu uma convocatória para imunização contra o VSR, deve confirmar separadamente a vacinação contra a gripe.

O que confirmar antes de sair de casa

  • Idade e enquadramento: indique a idade da criança e eventuais condições de saúde relevantes à equipa que organiza a vacinação.
  • Local e marcação: confirme uma unidade do SNS ou outro ponto autorizado para vacinação infantil; não presuma que qualquer farmácia faz parte desse circuito.
  • Histórico: reúna o registo disponível de vacinação contra a gripe e pergunte se será necessária outra dose.
  • Segurança: informe o profissional sobre reações graves anteriores à vacinação e peça orientação sobre o que observar depois.

A finalidade definida pela DGS é reduzir doença grave, hospitalização e transmissão da gripe, sobretudo entre pessoas mais vulneráveis. Não é uma promessa de ausência de infeções nem substitui a avaliação individual. Para quem lê fora de Portugal, o calendário e a gratuitidade aqui descritos não devem ser transferidos para o seu país: confirme as orientações da autoridade de saúde local.

Nota editorial. Informação sobre a campanha em Portugal, verificada em 26 de setembro de 2026. Não substitui avaliação clínica individual nem estabelece elegibilidade noutros países lusófonos. Confirme contraindicações, doses, disponibilidade e agendamento com a sua unidade de saúde. Sem parceria comercial ou links de afiliados.

Fontes

  1. DGS: Norma n.º 006/2026, campanha contra a gripe: elegibilidade, locais e esquema de vacinação
  2. DGS: Norma n.º 007/2026, vacinação primária e campanha sazonal contra a COVID-19
  3. SNS, 18 de setembro: vacinação da gripe arranca a 30 de setembro e nova elegibilidade infantil
  4. INEM, 24 de setembro: confirmação do arranque das campanhas contra a gripe e a COVID-19
  5. Governo de Portugal: campanhas sazonais e distinção da imunização infantil contra o VSR

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Rafael Gomes, Editor, edição em português na Sona News
Escrito por
Rafael Gomes
Editor, edição em português, Sona News

Rafael Gomes edita a edição em português da Sona News e cobre economia, tecnologia e clima para leitores lusófonos.

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