Power bank no avião: retire-o da mala se ela for para o porão
As regras de 2026 limitam carregadores portáteis e proíbem recarregá-los a bordo. Confira capacidade e companhia: levar na cabine não significa poder usar durante o voo.

A mala passa no controlo de segurança, chega à porta de embarque e, por falta de espaço, segue para o porão. Se o power bank ficou lá dentro, é esse o momento de o retirar. O carregador portátil com bateria de lítio deve viajar na cabine, mesmo quando o volume onde estava deixa de ser bagagem de mão. A etiqueta colocada na mala não altera a regra da bateria.
Para quem viaja entre países lusófonos ou faz ligações internacionais, as regras de 2026 exigem três verificações distintas: quantas unidades leva, qual a capacidade de cada uma e o que a transportadora permite a bordo. Não se trata de uma proibição geral dos power banks. Trata-se de não confundir autorização de transporte com autorização de uso.
O que mudou em 2026 e o que já era obrigatório
Segundo o <a href="https://www.iata.org/contentassets/90f8038b0eea42069554b2f4530f49ea/guidance-to-operators---power-banks.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">guia da Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA) para operadores</a>, a Organização da Aviação Civil Internacional introduziu em 27 de março um aditamento às instruções técnicas. O texto separou os power banks das baterias sobressalentes, limitou a dois os carregadores de uso pessoal por pessoa e proibiu recarregá-los a bordo. Levar apenas na cabine e proteger contra curto-circuito já eram exigências.
Há uma ressalva importante: a própria IATA explica que a aplicação jurídica depende de como cada Estado incorpora a alteração. As companhias também podem adotar condições mais restritivas. Por isso, uma lista internacional serve de referência para preparar a mala, não de garantia de aceitação em qualquer aeroporto ou voo.
No Brasil, atenção à faixa acima de 100 Wh
No Brasil, a atualização divulgada pela Anac em abril foi detalhada pela <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-04/anac-estabelece-restricoes-para-transporte-de-power-banks-em-avioes" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Agência Brasil</a>: no máximo dois power banks, capacidade de referência até 100 Wh e autorização prévia da companhia para modelos acima de 100 Wh e até 160 Wh. Os superiores a 160 Wh são proibidos no transporte de passageiros nessas condições.
Não transforme essa possibilidade de autorização numa promessa para uma viagem internacional. O guia da IATA para operadores reconhece a faixa de 100–160 Wh no aditamento, mas explica que a exceção não será mantida na edição de 2027 das suas regras. Já o guia para passageiros de 2026 apresenta uma orientação mais restritiva: até dois power banks, nenhum acima de 100 Wh. Acima desse valor, confirme por escrito com a transportadora; não presuma que uma autorização obtida para um trecho vale para todos.
Leia Wh, não apenas o número grande da embalagem
A capacidade relevante para este limite é expressa em watt-hora, ou Wh. O <a href="https://www.iata.org/contentassets/6fea26dd84d24b26a7a1fd5788561d6e/passengers_travelling_with_lithium_batteries.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">guia da IATA para passageiros</a> explica que esse valor resulta da capacidade em ampere-hora multiplicada pela tensão nominal. O número em mAh, isolado, não basta para comparar diretamente com o limite em Wh.
Procure a indicação no corpo do carregador e guarde a documentação do fabricante. Se a equipa não conseguir verificar a capacidade na bateria ou nos documentos, a companhia pode recusar o transporte. Uma etiqueta apagada não se resolve com um cálculo improvisado na fila; consulte o fabricante antes de sair e não invente uma nova identificação para o equipamento.
Retire antes de entregar, não depois de fechar a porta
Arrume os carregadores num local de acesso fácil. Se o funcionário pedir a mala de cabine para a despachar, avise que precisa de retirar os power banks antes de a entregar. O guia da IATA chama expressamente a atenção para esse momento. Não conte com conseguir recuperar o volume depois de ele seguir para carregamento.
Cada unidade deve ficar protegida separadamente contra curto-circuito, por exemplo na embalagem original ou numa bolsa protetora individual. Não deixe os contactos expostos junto de chaves ou outros objetos metálicos. Nos modelos sem fios, confirme que estão desligados e separados do telefone, para evitar que comecem a carregar por ativação involuntária.
Transportar, carregar o telefone e recarregar a bateria são ações diferentes
A proibição de recarregar o power bank a bordo significa não o ligar à alimentação do avião para repor a sua energia. Usá-lo para alimentar um telefone é outra operação. O aditamento descrito pela IATA recomenda que isso também não seja feito a bordo, e a companhia pode transformar essa orientação numa proibição operacional. Siga as instruções da tripulação, mesmo que tenha usado o mesmo acessório noutro voo.
O guia para passageiros também recomenda não guardar power banks no compartimento superior. Mantenha-os acessíveis, no local permitido pela tripulação, sem bloquear a passagem ou contrariar as regras de arrumação. Se um equipamento ficar anormalmente quente, danificado ou começar a deitar fumo, informe imediatamente a tripulação ou o pessoal do aeroporto. Não esconda o problema na mala.
A confirmação que vale é a de quem opera o voo
A <a href="https://www.gov.br/anac/pt-br/assuntos/regulados/empresas-aereas/artigos-perigosos/o-que-posso-transportar" target="_blank" rel="noopener noreferrer">página da Anac sobre artigos permitidos</a> avisa que empresas aéreas podem ser mais restritivas que a regulamentação e recomenda consultar as condições do destino. Num bilhete com ligação ou partilha de código, confira quem opera cada trecho, não apenas a marca que vendeu a viagem. Repita a verificação para o regresso.
- <strong>Antes de sair:</strong> confirme quantidade, Wh legíveis, estado do equipamento e regras de cada transportadora.
- <strong>Ao arrumar:</strong> proteja cada power bank individualmente e deixe-o acessível na bagagem de mão.
- <strong>Na porta:</strong> retire os carregadores se a mala for encaminhada para o porão.
- <strong>Na cabine:</strong> não recarregue o power bank e cumpra as restrições de uso e arrumação indicadas pela tripulação.
Prepare ainda uma alternativa simples: telefone com carga suficiente para os documentos da viagem, cartões de embarque acessíveis offline e informação essencial guardada fora de uma aplicação que exija ligação. Isso não elimina todos os imprevistos. Evita, porém, que a sua chegada dependa de poder usar um carregador que a companhia só autorizou a transportar.
Nota editorial. Guia de viagem baseado em fontes consultadas em 14 de setembro de 2026. As alterações de março e abril não são apresentadas como novidades deste dia. Regras nacionais, condições da transportadora e instruções da tripulação podem ser mais restritivas; confirme cada trecho antes de viajar. As referências à Anac neste artigo dizem respeito à autoridade brasileira.
Fontes
- IATA: guia para operadores, aditamento de 27 de março de 2026, aplicação nacional e distinção entre transporte e uso
- IATA: guia de 2026 para passageiros, Wh, proteção individual e retirada antes do despacho na porta
- Agência Brasil: atualização da Anac de abril de 2026 para carregadores portáteis
- Anac Brasil: restrições específicas das companhias e das autoridades de destino
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