Sites falsos usam «A Odisseia»: um filme não termina em .exe
Páginas clonadas escondem dois riscos: formulários que recolhem dados e falsos avisos que levam a publicidade maliciosa ou programas. O passo certo depende do que já fez.

A promessa cabe num botão: ver «A Odisseia» gratuitamente. O risco começa antes de o filme arrancar. Investigadores encontraram páginas clonadas que imitam listagens de pirataria, mostram um falso problema no navegador ou entregam um programa Windows com nome de vídeo. Outra advertência descreve falsos leitores que pedem dados pessoais e bancários para desbloquear um suposto período gratuito.
São observações recentes que aproveitam a procura por um grande lançamento de cinema. Não provam que todos os sites não oficiais sejam controlados pela mesma pessoa, que os dois grupos de exemplos pertençam à mesma infraestrutura ou que cada visitante tenha perdido dinheiro. Também não existe, nas fontes consultadas, uma contagem pública de vítimas. O facto verificável é mais útil: há várias portas de entrada, e a resposta depende daquela que já atravessou.
Duas armadilhas usam a mesma curiosidade
A Malwarebytes publicou em 20 de julho dois casos encontrados poucas horas depois da estreia. No primeiro, cópias convincentes de sites de torrents cobriam a página com um aviso de «problema no navegador». O botão que prometia corrigir um componente não reparava nada: encaminhava o visitante para uma rede de publicidade maliciosa, cujo destino podia variar entre uma extensão falsa, falso suporte técnico e tentativas de distribuir software.
No segundo caso, um ficheiro anunciado como uma cópia do filme terminava em .exe. O Windows reconhecia-o como aplicação, apesar do nome e do ícone tentarem sugerir vídeo. A investigação explica que o efeito de abrir um programa assim depende da campanha: pode descarregar outras ameaças, roubar informação ou instalar acesso remoto. Essa lista descreve possibilidades técnicas, não confirma o que aconteceu em todos os computadores.
O alerta divulgado esta quarta-feira pelo Correio da Manhã, atribuído à Kaspersky, aponta para outro percurso. Páginas em várias línguas simulam um leitor e pedem registo para continuar a ver gratuitamente. Depois recolhem nome, e-mail, palavra-passe e dados de cartão sob o pretexto de ativar um período experimental. É uma fraude de formulário, não necessariamente o mesmo programa observado pela Malwarebytes.
Um aviso do navegador pode ser apenas cenário
Uma página consegue desenhar uma caixa que parece pertencer ao Chrome, Edge ou Firefox. Cor, botões e linguagem familiar não lhe dão autoridade. Se o aviso surge dentro de uma página que prometia um filme e pede para «corrigir», instalar uma extensão, permitir notificações, telefonar para suporte ou descarregar um componente, não avance. Feche o separador; se ele resistir, feche o navegador pelo sistema e reabra-o sem restaurar aquela página.
Não confunda aparência com origem. Um cadeado na barra de endereço indica que a ligação ao domínio está cifrada; não declara que o operador é honesto. Um número elevado de pessoas a partilhar um ficheiro também não é certificado de segurança. E um ícone de reprodutor pode ser atribuído a um programa para o fazer parecer inofensivo.
Um filme não precisa de ser executado como programa
A verificação mais simples é a extensão completa. A documentação da Microsoft classifica .exe como programa executável e inclui .avi, .mp4, .mpeg e .wmv entre formatos de vídeo. A Malwarebytes acrescenta .mkv como formato habitual. Isso não torna qualquer vídeo seguro, mas estabelece uma fronteira clara: um suposto filme que termina em .exe não é um ficheiro de filme.
No Windows 11, o caminho indicado pela Microsoft é Explorador de Ficheiros, Ver, Mostrar e Extensões de nomes de ficheiros. Faça esta verificação antes de abrir. Desconfie também de nomes com uma extensão de vídeo no meio e outra no fim. Mudar o nome ou o ícone não converte um programa em vídeo; a extensão final e o tipo identificado pelo sistema são os sinais relevantes.
O canal oficial ajuda a testar a promessa
O site português oficial de «A Odisseia» apresenta trailer e pesquisa de sessões para a estreia de 16 de julho. Isso não define para sempre todas as janelas de distribuição nem todos os países, mas oferece um ponto de comparação atual. Antes de criar uma conta num leitor desconhecido, procure o título no distribuidor, no cinema ou nos serviços legítimos disponíveis no seu território. Uma página que promete acesso antecipado ou gratuito não se torna autorizada por usar imagens e nomes corretos.
A resposta muda conforme o que aconteceu
- Se apenas abriu a página, feche-a, não aceite notificações, não instale extensões e apague qualquer ficheiro que não chegou a executar. Reveja a lista de transferências e de extensões sem voltar ao endereço.
- Se escreveu uma palavra-passe, altere-a a partir de um dispositivo de confiança em todos os serviços onde foi reutilizada. Termine sessões desconhecidas e ative autenticação multifator quando disponível.
- Se forneceu dados de cartão ou aprovou um pagamento, contacte imediatamente a instituição financeira pelos canais que já conhece. Bloqueio, substituição, contestação e monitorização dependem do banco, do meio de pagamento e da operação.
- Se executou um .exe, desligue o computador da rede e evite nele banco, e-mail e outras contas sensíveis. Use proteção atualizada para uma análise completa; o Windows também oferece uma análise offline após reinício. Procure apoio técnico qualificado se houver alertas, persistência ou dúvida.
- Se suspeita de fraude, preserve URL, hora, mensagens, comprovativos e capturas sem voltar a interagir nem republicar dados pessoais. O Banco de Portugal recomenda contactar a instituição e participar a situação a PSP, GNR ou Polícia Judiciária.
Uma análise sem deteções reduz incerteza, mas não certifica que o dispositivo e todas as contas estão intactos. Se um programa desconhecido foi executado, mude credenciais importantes num equipamento separado depois de conter o incidente. Observe acessos, regras de encaminhamento no e-mail, extensões, aplicações instaladas e movimentos bancários; não espere por uma perda para avisar o banco.
A melhor pista aparece antes do clique
O filme é o isco, não a causa. Nem o estúdio nem uma sala de cinema precisam de explorar uma falha técnica para esta abordagem funcionar: basta convencer alguém a registar-se, clicar em «corrigir» ou executar o ficheiro errado. A defesa começa por interromper essa sequência.
Para leitores em Portugal, no Brasil e noutros países lusófonos, os canais de denúncia e as regras bancárias variam, mas a ordem prática mantém-se: parar a interação, conter o dispositivo, proteger contas e dinheiro por canais oficiais e guardar prova. O detalhe mais pequeno continua a ser o mais decisivo: se o que promete ser um filme termina em .exe, não carregue em reproduzir.
Nota editorial. Informação geral de segurança digital e prevenção de fraude. Não garante deteção ou remoção completa de software malicioso, recuperação de contas, devolução de pagamentos nem resultado policial. Contacte o banco, a plataforma, um profissional técnico e as autoridades competentes pelos canais oficiais do seu país conforme o que ocorreu.
Fontes
- Malwarebytes Threat Intelligence, «The Odyssey piracy scams appear within hours of the movie’s release», publicado em 20 e consultado em 29 de julho de 2026. Investigação primária para páginas de pirataria clonadas, falso aviso de componente do navegador, redirecionamentos e o executável Windows disfarçado de filme; a empresa não atribui ambos os casos ao estúdio nem publica uma contagem de vítimas.
- Correio da Manhã, «Euforia com “A Odisseia” leva a burlas online», publicado e consultado em 29 de julho de 2026. Fonte portuguesa para o alerta atribuído à Kaspersky sobre páginas em várias línguas, registo, recolha de dados pessoais, reutilização de palavras-passe e pedido de dados bancários para um suposto período gratuito.
- Universal Pictures Portugal, site oficial de «A Odisseia», consultado em 29 de julho de 2026. Verificado: estreia portuguesa em 16 de julho, trailer e pesquisa de sessões; o artigo não usa imagens, marcas nem materiais promocionais do filme.
- Microsoft Support, «Common file name extensions in Windows», consultado em 29 de julho de 2026. Fonte técnica oficial para mostrar extensões no Explorador de Ficheiros e distinguir .exe como programa executável de extensões de vídeo como .avi, .mp4, .mpeg e .wmv.
- Microsoft Support, «Virus and Threat Protection in the Windows Security App», consultado em 29 de julho de 2026. Fonte técnica oficial para proteção em tempo real, análise completa e análise offline após reinício; nenhuma análise é apresentada como garantia universal de recuperação.
- Banco de Portugal, «Suspeito ter sido vítima de fraude. O que devo fazer?», consultado em 29 de julho de 2026. Fonte oficial portuguesa para contactar imediatamente a instituição financeira e participar a situação a um órgão de polícia criminal quando existe suspeita de fraude financeira ou uso de dados pessoais.
- Justiça.gov.pt, «Apresentar denúncia», consultado em 29 de julho de 2026. Fonte oficial para o enquadramento da denúncia à Polícia Judiciária e para preservar um relato factual quando existe suspeita de crime.
Ajude-nos a melhorar
Este artigo foi útil para você?
Um retorno anônimo ajuda a Sona a melhorar próximas reportagens, títulos e contexto das fontes.
A seguir

Confiança e evitamento crescem lado a lado. O retrato português de 2026 ajuda a separar uma pausa deliberada da indiferença e a tornar o consumo de notícias mais controlável.
Continue lendo

