Calor põe 17 distritos sob aviso: quando abrir janelas e fechar estores
O IPMA prevê máximas em subida no continente. A casa arrefece melhor quando a sombra trava o sol de dia e a ventilação só começa quando o exterior está mais fresco.

A janela aberta é um símbolo de verão, mas não é automaticamente uma fonte de ar fresco. Com o calor a regressar ao continente, a decisão útil não é «abrir ou fechar» em abstrato. É comparar: o ar lá fora está realmente mais fresco do que o ar dentro de casa?
A página de avisos de temperatura máxima do IPMA, consultada este domingo, mostrava aviso amarelo para 17 dos 18 distritos do continente a partir de segunda-feira, 27 de julho; Faro era a exceção. As horas de início e fim variavam por distrito, em geral entre segunda e quarta-feira, e podem ser atualizadas. Na previsão descritiva, o instituto apontava para uma subida da máxima na segunda-feira, mais marcada no Norte e Centro e especialmente no litoral, com evolução diferente em Lisboa e Setúbal antes de nova subida na terça-feira.
Isto não pede pânico nem uma regra nacional única. Pede uma rotina doméstica que responda às condições locais e que seja revista todos os dias.
A janela segue a temperatura, não o relógio
Abrir duas janelas pode criar corrente de ar e acelerar a renovação do ambiente. Mas, se o exterior já estiver mais quente do que o interior, essa mesma corrente transporta calor para dentro. A recomendação da OMS Europa é usar o ar noturno e do início da manhã quando estiver mais fresco e fechar janelas durante a parte quente do dia.
«À noite» não significa automaticamente «mais fresco». Num centro urbano, num apartamento alto, numa encosta exposta ou depois de vários dias quentes, o exterior pode continuar abafado. Consulte a temperatura exterior local e, se tiver dois termómetros fiáveis, compare-a com a divisão onde dorme. Quando o valor exterior descer abaixo do interior, abra em lados opostos da casa, se for seguro. Quando voltar a subir, feche.
Quem só consegue abrir uma fachada pode usar uma ventoinha junto da janela para ajudar a expulsar ar quente quando o exterior estiver mais fresco. Segurança vem primeiro: limitadores, redes e a configuração da casa contam, sobretudo com crianças, animais ou janelas acessíveis a partir da rua.
Primeiro, impedir o sol de entrar
O calor chega pelo ar, mas também pela radiação que atravessa o vidro e aquece chão, paredes e móveis. Por isso, a medida com melhor lógica física acontece antes de a divisão aquecer: travar o sol nas janelas expostas.
Estores, portadas, persianas ou toldos exteriores interceptam a radiação antes do vidro. Se só houver cortinas interiores, fechá-las continua a ser preferível a deixar o sol bater diretamente no quarto, embora o calor já tenha atravessado o vidro. Priorize as fachadas que recebem sol naquela hora, em vez de escurecer toda a casa sem necessidade.
Uma sequência prática é esta: de manhã, ventile enquanto o exterior estiver mais fresco; antes de o sol atingir o vidro e antes de a rua aquecer, feche a proteção solar e depois as janelas. Ao fim do dia, não abra por hábito: espere que a comparação de temperaturas volte a ser favorável.
Ventoinha não é ar condicionado
Uma ventoinha move o ar e pode ajudar o corpo a perder calor, sobretudo pela evaporação do suor. Não baixa a temperatura da divisão. Num quarto muito quente, pode dar sensação de movimento sem resolver a exposição térmica.
As orientações oficiais nem sequer usam um único limite universal. A OMS desaconselha a ventoinha acima de 40 °C, enquanto a orientação britânica para calor adota um limiar mais prudente de 35 °C. A diferença é uma razão para não transformar um número isolado numa garantia. Se o ambiente está muito quente, a pessoa é vulnerável ou a ventoinha deixa de aliviar, procure a divisão mais fresca disponível ou um espaço público climatizado.
Se houver ar condicionado, feche as aberturas enquanto funciona. A OMS sugere uma regulação não inferior a 27 °C combinada com ventoinha, em vez de tentar criar frio extremo. Limpe filtros e confirme que a descarga de ar não fica bloqueada; um aparelho negligenciado perde eficiência precisamente quando é mais necessário.
A casa não é a única prioridade
Pessoas idosas, bebés, grávidas, quem vive sozinho, trabalhadores expostos e pessoas com doença cardiovascular, respiratória, renal, diabetes ou medicação que afete a regulação térmica merecem atenção adicional. Faça uma chamada concreta: «Como está o quarto onde dorme?» é mais útil do que «Está tudo bem?».
Não altere medicamentos nem limites de ingestão de líquidos por conta própria. Alguns medicamentos precisam de armazenamento abaixo de determinada temperatura e algumas condições clínicas exigem restrição de líquidos; confirme com farmacêutico ou profissional de saúde.
Sede intensa, cansaço, tonturas, dor de cabeça, náuseas, cãibras e transpiração abundante podem acompanhar exaustão pelo calor. Leve a pessoa para um lugar fresco, retire roupa desnecessária, arrefeça a pele e dê líquidos apenas se estiver acordada e conseguir beber. A orientação do NHS indica que a melhoria deve começar em cerca de 30 minutos.
Confusão, falta de coordenação, convulsão, perda de consciência, respiração rápida ou pele muito quente podem indicar golpe de calor. Isso é uma emergência: em Portugal e no resto da União Europeia, ligue 112, número gratuito para ambulância, bombeiros ou polícia, segundo a Comissão Europeia.
Cinco preparativos para fazer hoje
- Consulte o seu distrito no IPMA, não apenas um mapa partilhado nas redes; horários e níveis mudam.
- Identifique as janelas que recebem sol direto e feche primeiro a proteção exterior dessas fachadas.
- Compare exterior e interior antes de ventilar; registe as horas em que a inversão acontece na sua casa.
- Escolha já a divisão mais fresca e saiba onde existe um espaço climatizado acessível, caso a habitação deixe de ser segura.
- Combine uma verificação com alguém vulnerável, incluindo quarto, água disponível, medicação e sinais de mal-estar.
A estratégia cabe numa frase: sombra antes do calor, ventilação só quando o exterior ajuda e saída para um lugar mais fresco quando a casa já não consegue proteger. É menos intuitivo do que deixar tudo aberto, mas muito mais ajustado ao que cada janela realmente faz.
Nota editorial. Informação geral sobre calor, conforto doméstico e sinais de alarme. Não substitui aconselhamento médico, avaliação das condições da habitação nem os avisos atualizados das autoridades. Em emergência, ligue 112.
Fontes
- IPMA, avisos de temperatura máxima (consultado em 26 de julho de 2026)
- IPMA, previsão descritiva para o continente, 26–29 de julho
- OMS Europa, Heatwaves: how to stay cool (13 de julho de 2026)
- NHS, Heat exhaustion and heatstroke (revisto em 28 de maio de 2026)
- UKHSA, Beat the heat: staying safe in hot weather
- Comissão Europeia, número europeu de emergência 112
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