Eclipse lunar de 28 de agosto: em Portugal, o máximo chega às 5h13
A Lua entra quase toda na sombra da Terra na madrugada de sexta-feira. Veja horários por fuso, onde olhar e o que não é preciso levar.

Na madrugada de sexta-feira, 28 de agosto, a Lua Cheia vai perder quase toda a iluminação direta ao atravessar a sombra da Terra. O momento mais profundo chega às 04:13 UTC. A nova visualização do <a href="https://svs.gsfc.nasa.gov/5672/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Scientific Visualization Studio da NASA</a>, publicada a 21 de agosto, calcula que 96,3% da área aparente do disco estará dentro da umbra, a região central e escura da sombra terrestre. É muito, mas não é totalidade: uma faixa clara continua fora da umbra.
O relógio-base é simples
A penumbra começa às 01:24 UTC, mas essa primeira alteração é discreta e pode passar despercebida. A “mordida” escura torna-se evidente quando a fase parcial começa às 02:34. A cobertura aumenta até ao máximo, às 04:13, recua depois e termina às 05:52. A penumbra só abandona completamente a Lua às 07:02. Estes horários vêm do <a href="https://eclipse.gsfc.nasa.gov/OH/OH2026.html#LE2026Aug28P" target="_blank" rel="noopener noreferrer">catálogo de eclipses da NASA</a> e estão arredondados ao minuto.
<strong>Converta antes de pôr o despertador.</strong> Em Portugal continental e na Madeira, que estão em UTC+1 nesta data, a fase parcial começa às 03:34, atinge o máximo às 05:13 e acaba às 06:52. Nos Açores, em UTC+0, os horários são 02:34, 04:13 e 05:52. Em São Paulo e Brasília, no fuso UTC−3, a parcial começa ainda na quinta-feira, 27 de agosto, às 23:34; o máximo é às 01:13 e o fim às 02:52 de sexta-feira. O Brasil tem vários fusos: quem está fora do horário de Brasília deve ajustar a hora local.
Há outras referências úteis no espaço lusófono. Na Praia, em Cabo Verde, a parcial decorre aproximadamente entre 01:34 e 04:52, com máximo às 03:13. Em Luanda, começa às 03:34 e chega ao máximo às 05:13; como a Lua se põe por volta das 06:14, o fim da parcial já fica comprometido pelo horizonte. Em Moçambique, a Lua está ainda mais perto do ocaso durante as fases decisivas, pelo que é indispensável verificar a visibilidade para a localidade. O <a href="https://svs.gsfc.nasa.gov/5672/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">mapa global da NASA</a> mostra as zonas que veem cada etapa.
Em Portugal, o horizonte pesa mais no fim
Não é preciso procurar a Lua rente ao mar às 5h13. No máximo, ela ainda estará a uma altura razoável no quadrante oeste-sudoeste. O horizonte torna-se crítico mais tarde, quando a sombra começa a sair. As tabelas do <a href="https://aa.usno.navy.mil/calculated/rstt/year?ID=AA&year=2026&task=1&lat=38.7223&lon=-9.1393&label=Lisbon&tz=1&tz_sign=1&submit=Get+Data" target="_blank" rel="noopener noreferrer">U.S. Naval Observatory</a> colocam o ocaso lunar perto das 07:11 em Lisboa e 07:06 no Porto, apenas cerca de 15 a 20 minutos depois do fim da fase parcial. No Funchal, o ocaso surge perto das 07:50; em Ponta Delgada, perto das 07:21. Prédios, serras e neblina podem cortar a observação antes dessas horas calculadas.
<strong>“96,3%” e “93%” não se contradizem.</strong> O primeiro número descreve a área aparente do disco dentro da umbra. A <a href="https://science.nasa.gov/solar-system/whats-up-august-2026-skywatching-tips-from-nasa/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">NASA/JPL-Caltech</a> usa cerca de 93% para a fração do diâmetro lunar coberta pela sombra central, próxima da magnitude umbral 0,9299 do catálogo. Como os dois cálculos medem coisas diferentes, ambos podem estar corretos. A consequência visual é uma Lua quase toda escura, mas com uma margem diretamente iluminada que impede o eclipse total.
A parte dentro da umbra pode ganhar tons de ferrugem ou cobre. A Terra bloqueia a luz solar direta, mas parte da luz atravessa e é desviada pela atmosfera do planeta até à Lua. Os comprimentos de onda avermelhados atravessam melhor esse percurso, enquanto os azulados se dispersam. Não conte, porém, com uma “Lua de sangue” uniforme: transparência atmosférica, poeiras, nuvens e a adaptação dos olhos alteram o aspeto. A previsão confirma a geometria do eclipse, não uma cor exata para cada observador ou fotografia.
Olhos chegam; equipamento é opcional
Um eclipse lunar não expõe o observador à luz solar direta; por isso, óculos de eclipse solar não são necessários. O <a href="https://www.rmg.co.uk/stories/space-astronomy/partial-lunar-eclipse-on-28-august-2026-how-see-it" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Royal Observatory Greenwich</a> confirma que é tão seguro olhar para este evento como para a Lua Cheia. Binóculos ou um pequeno telescópio podem tornar o limite curvo da sombra mais nítido, mas são opcionais. Se usar equipamento, instale-o num local estável e acessível, nunca numa falésia, berma de estrada ou propriedade fechada.
Para fotografar, comece sem zoom digital e sem flash. Apoie o telemóvel ou a câmara, reduza a exposição até recuperar detalhe na faixa clara e faça uma sequência espaçada; a diferença entre a parte iluminada e a umbra pode exceder o que um único disparo mostra. Não trate a fotografia como medição de cor: o modo noturno e o processamento automático clareiam a sombra e saturam o cobre. Guarde também uma imagem mais ampla com o horizonte, porque essa escala explica melhor o contexto da madrugada.
Um plano em três passos
Na véspera, confirme a nebulosidade para a sua localidade. Depois, escolha um ponto seguro com visão aberta para oeste e sudoeste. Por fim, chegue 15 minutos antes do intervalo que quer acompanhar: às 03:34 em Portugal continental para ver a entrada na umbra, ou perto das 05:00 para concentrar a observação no máximo das 05:13. Se as nuvens vencerem, não há equipamento que resolva. Se o céu abrir, não é preciso comprar nada: basta olhar para a sombra curva da Terra avançar sobre a Lua.
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