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Perseidas 2026: 100 por hora não é uma promessa

A Lua nova favorece a noite de 12 para 13 de agosto. Em Portugal continental, o máximo nodal previsto cai entre as 03h00 e as 05h00, mas céu, altura do radiante e tempo de observação decidem o resultado.

Observador acompanha uma única Perseida num céu sem Lua, com binóculos fechados e lanterna vermelha sobre a manta.
Ilustração conceptual de uma sessão de observação; não representa o máximo de 2026, um local nem uma contagem real. Imagem gerada por IA

Na noite de 12 para 13 de agosto, a melhor ferramenta para ver as Perseidas cabe num bolso: paciência. A International Meteor Organization (IMO) coloca o máximo nodal de 2026 entre as 02h00 e as 04h00 UTC de dia 13. Isso corresponde às 03h00–05h00 em Portugal continental e na Madeira e às 02h00–04h00 nos Açores. A Lua estará nova, o que retira do céu uma das principais fontes naturais de claridade.

É uma combinação rara de calendário favorável, mas não é uma encomenda de espetáculo. A taxa zenital horária publicada pela IMO é 100. Esse número viaja bem em títulos e cartazes; viaja mal como promessa. Uma pessoa não deve chegar ao campo à espera de contar automaticamente 100 meteoros em 60 minutos.

A janela é mais larga do que duas horas

O calendário da IMO situa o máximo tradicional amplo entre as 21h00 UTC de 12 de agosto e as 09h00 UTC de dia 13. No continente e na Madeira, a margem vai aproximadamente das 22h00 às 10h00 locais; parte dela já coincide com amanhecer. Na prática, comece quando o céu estiver completamente escuro e fique até à madrugada se puder. O radiante aparente, em Perseu, sobe ao longo da noite para quem observa em latitudes médias do hemisfério norte.

Não é preciso fixar Perseu. A constelação indica apenas o ponto do qual os rastos parecem divergir. A NASA recomenda começar por uma zona aberta do céu, inicialmente para nordeste depois de escurecer, e deixar o olhar vaguear. Os meteoros podem aparecer longe do radiante e um campo de visão amplo dá mais oportunidades do que encarar um único ponto.

As Perseidas estão ativas entre 17 de julho e 24 de agosto. As noites imediatamente anteriores e posteriores continuam a ser alternativas úteis se a nebulosidade estragar a janela principal, embora a atividade possa ser menor. O máximo não funciona como um interruptor que liga e desliga a chuva em dois minutos.

O que significa, afinal, ZHR 100

ZHR é uma medida padronizada. Segundo a definição da IMO, estima quantos meteoros de uma chuva um observador veria numa hora se o radiante estivesse no zénite e se o céu permitisse ver estrelas até magnitude 6,5, em condições muito escuras e ideais. A conta corrige a altura do radiante e a qualidade do céu para permitir comparar observações feitas em lugares e horas diferentes.

A sua contagem será afetada pelo ângulo do radiante, por árvores ou prédios, pela poluição luminosa, por nuvens, pela capacidade dos olhos e pelo tempo efetivamente passado a olhar. Também há rajadas e pausas. A própria IMO nota que modelos para 2026 admitem atividade de fundo inferior à ZHR 100 habitualmente citada. Existem cálculos sobre filamentos de poeira adicionais, mas não sustentam uma garantia de tempestade. O número honesto para uma sessão só existe depois de observar.

A Lua nova ocorre em 12 de agosto às 17h37 UTC, de acordo com o U.S. Naval Observatory: 18h37 em Portugal continental e na Madeira. A fase é excelente porque não haverá luar a lavar os rastos mais fracos. Não resolve, porém, a nebulosidade nem o brilho das cidades. A nova Lua também não será um objeto para procurar no céu noturno.

Prepare os olhos, não o telescópio

Escolha um lugar legal e seguro, com horizonte amplo e longe de candeeiros diretos. Uma cadeira reclinável ou manta reduz o esforço do pescoço. Leve roupa quente, mesmo no verão, água e uma lanterna vermelha fraca. Depois de chegar, dê cerca de 30 minutos aos olhos para se adaptarem e evite voltar ao ecrã branco do telemóvel. Se precisar dele por segurança, reduza o brilho e use-o o mínimo possível.

Telescópios e binóculos estreitam demasiado o campo para seguir meteoros. Podem servir antes da sessão para outros alvos, mas devem ficar fechados durante a espera. Também não precisa de fotografar para validar a experiência: olhar continuamente é mais eficaz para uma contagem visual. A IMO recomenda sessões de pelo menos uma hora, precisamente porque uma sequência rápida pode ser seguida por vários minutos vazios.

Confirme a previsão do IPMA no próprio dia e volte a verificá-la antes de sair. As previsões automáticas são apresentadas em UTC e os modelos podem deslocar nuvens algumas dezenas de quilómetros ou algumas horas. No verão, some uma hora para o continente e a Madeira; nos Açores, a hora local coincide com UTC. Compare localidades próximas se estiver a decidir entre dois pontos de observação, sem entrar numa estrada ou propriedade isolada apenas para fugir a uma nuvem.

Um plano simples para a madrugada

Chegue antes do início da sua janela, monte a manta ainda com alguma luz e identifique uma saída segura. Quando o céu escurecer, guarde a óptica e cubra qualquer luz branca. Deite-se com uma área larga do céu à frente. Conte apenas enquanto estiver realmente atento e anote separadamente interrupções ou nuvens. Se vir um risco isolado, não conclua logo que a taxa é baixa; se vir vários em poucos minutos, não extrapole para a hora inteira.

O cometa 109P/Swift–Tuttle deixou os detritos que produzem as Perseidas quando a Terra os atravessa. Cada traço dura pouco; a preparação serve para tornar essa incerteza confortável. A Lua nova melhora o ponto de partida. O resto depende do lugar, do tempo e de permanecer ali o suficiente para o céu mostrar o que tem, não o que um “100” parecia prometer.

Nota editorial. Os horários astronómicos são previsões em UTC convertidas para o horário de verão português; a visibilidade real depende da nebulosidade, da luz artificial e do horizonte local.

Fontes

  1. IMO: 2026 Meteor Shower Calendar
  2. NASA/JPL: What’s Up, August 2026 Skywatching Tips
  3. IMO: Glossary, ZHR
  4. IMO: Visual Observations
  5. U.S. Naval Observatory: Moon Phases 2026
  6. IPMA: previsão por localidade e notas

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Rafael Gomes, Editor, edição em português na Sona News
Escrito por
Rafael Gomes
Editor, edição em português, Sona News

Rafael Gomes edita a edição em português da Sona News e cobre economia, tecnologia e clima para leitores lusófonos.

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