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Eclipse de 12 de agosto: Lisboa verá 95%, mas não totalidade

Na capital, a fase parcial começa às 18:39 e atinge o máximo às 19:36. Só a ponta noroeste do país entra na faixa total; para quase todos, o filtro continua obrigatório.

Mão segura um visor solar sobre a calçada portuguesa; no filtro escuro surge o crescente do eclipse parcial ao fim da tarde.
A ilustração conceptual mostra observação com filtro; não simula a posição exata do Sol nem transforma a fase parcial de Lisboa em totalidade. Imagem gerada por IA

A diferença cabe numa palavra. Em Lisboa, o eclipse solar de 12 de agosto será profundo, mas parcial: a NASA calcula que a Lua cobrirá 95% da área aparente do Sol no momento máximo. Só uma pequena ponta no extremo noroeste de Portugal entra na faixa de totalidade. Para quase todo o país, portanto, não existe um instante seguro para retirar o filtro e olhar diretamente.

O anúncio tornou-se mais útil esta semana porque a NASA confirmou a transmissão em direto e atualizou a explicação das experiências científicas. O fenómeno não chega de surpresa: é uma previsão astronómica. O que ainda pode frustrar a observação é muito terrestre: nuvens, neblina e um edifício, monte ou árvore diante do horizonte poente.

Lisboa: três horas no fim da tarde

Em Lisboa, a fase parcial começa às 18:39, segundo a tabela local da NASA. O máximo chega às 19:36, com 95% de cobertura, e o eclipse termina às 20:29. São horas locais de Portugal continental. A agência não assinala o fim de Lisboa como ocorrendo depois do pôr do Sol, mas o astro estará baixo; escolher o local apenas pelo céu aberto por cima não basta.

O primeiro passo é procurar uma linha de visão ampla para oeste e verificar o percurso antes do dia 12. Não é preciso subir a um ponto perigoso nem parar numa estrada. Um espaço público autorizado, com saída simples e sem obstáculos imediatos, é melhor do que improvisar no último minuto. A previsão meteorológica só ganha utilidade real mais perto do evento.

95% ainda é uma fase parcial

«95% coberto» não significa 95% de escuridão e muito menos 95% de segurança. A medida da NASA refere-se à área do disco solar escondida pela Lua. O crescente restante continua a ser luz solar direta e intensa. Em Lisboa e em qualquer ponto fora da faixa total, a proteção deve permanecer durante toda a observação direta, mesmo no máximo.

A totalidade é diferente porque a Lua cobre por completo a face brilhante do Sol e deixa a coroa visível durante um intervalo curto. A NASA coloca esse efeito na Gronelândia, Islândia, norte da Rússia, Espanha, Atlântico e numa pequena ponta muito noroeste de Portugal. A tabela do Goddard calcula um máximo global de dois minutos e 18,2 segundos, mas isso não é a duração portuguesa nem uma promessa para quem ficar junto à borda.

Há outra razão para não transformar o limite do mapa num destino exato. As previsões históricas do Goddard avisam que montanhas e vales no bordo da Lua podem deslocar a fronteira calculada da totalidade em cerca de um a três quilómetros e alterar a duração em alguns segundos. Quem pretende viajar precisa de circunstâncias locais atualizadas e de margem dentro da faixa; estar «perto» não autoriza a tirar o visor.

A proteção não sai no máximo

Para observar diretamente uma fase parcial, a NASA recomenda óculos de eclipse ou um visor solar manual apropriado. Óculos de sol comuns não servem, por mais escuros que pareçam. Os produtos destinados à observação direta do Sol enquadram-se na norma ISO 12312-2; ainda assim, uma referência impressa não substitui origem confiável e inspeção. Descarte um visor riscado, rasgado, perfurado ou danificado e supervisione crianças.

Câmaras, telescópios e binóculos exigem outra regra. Nunca coloque óculos de eclipse nos olhos e depois olhe através de uma lente: a óptica concentra a radiação e pode destruir o filtro e ferir os olhos. O filtro específico tem de estar preso à frente do instrumento, no lado voltado para o Sol. A NASA recomenda aconselhamento de um astrónomo antes de montar esse equipamento.

Sem visor, a alternativa é projeção indireta. Um pequeno orifício pode projetar a imagem do Sol numa superfície branca, com o observador de costas para o astro. O orifício não é uma ocular: não se olha através dele. Folhas de árvores e os furos de um escorredor também podem formar pequenos crescentes no chão durante a fase parcial, desde que ninguém tente encarar o Sol.

Um plano curto para o dia 12

Antes de sair, uma lista curta evita a maior parte da improvisação:

  • Confirme a hora para a sua localidade, não reutilize automaticamente a tabela de Lisboa.
  • Escolha um horizonte oeste desimpedido e um local onde possa ficar em segurança.
  • Leve um visor solar sem danos e uma proteção sobressalente de origem confiável.
  • Teste apenas o enquadramento da câmara sem apontar a óptica ao Sol, salvo se tiver filtro frontal adequado e apoio competente.
  • Combine com crianças quando colocar e retirar os visores; fora de totalidade, não os retiram para olhar.
  • Se o céu fechar, abandone a tentativa direta e use a transmissão, sem conduzir ou mudar de local à pressa.

Transmissão e ciência acima das nuvens

A emissão da NASA começa às 18:15 em Portugal continental, conversão das 13:15 no horário Eastern indicado pela agência. A totalidade na Islândia começa às 18:45 de Portugal continental e, em Espanha, às 19:28. A página NASA Live é a alternativa para quem estiver fora da zona visível, não tiver horizonte livre ou preferir não preparar equipamento.

O eclipse também funciona como laboratório. Uma equipa financiada pela NASA usará quatro câmaras num avião WB-57 de grande altitude para registar a coroa em comprimentos de onda visíveis e infravermelhos, com pelo menos 20 imagens por segundo. Ao acompanhar a sombra, espera prolongar a observação aérea para quase três minutos, acima das nuvens. Estudantes lançarão ainda balões na Islândia e em Espanha para medir como o escurecimento temporário afeta a atmosfera terrestre.

Para leitores em português, o plano depende do lugar, mas a distinção não muda. Uma cobertura de 95% oferece uma fase parcial impressionante; não transforma Lisboa em zona de totalidade e não torna o crescente restante seguro a olho nu. Confirme a tabela local, garanta um horizonte poente e trate o visor como parte do evento, não como acessório que se pode retirar quando o céu escurecer.

Nota editorial. Informação geral de astronomia e segurança. Não substitui instruções atualizadas de autoridades, fabricantes ou profissionais de saúde. Nunca observe o Sol diretamente numa fase parcial sem proteção solar apropriada; óculos de sol comuns não servem, e equipamentos ópticos exigem filtro frontal específico.

Fontes

  1. NASA, «NASA Sets Coverage for August Northern Hemisphere Total Solar Eclipse», publicado em 29 e consultado em 30 de julho de 2026. Fonte oficial para a pequena faixa total em Portugal, a transmissão, as plataformas, as experiências e o calendário anunciado em horário Eastern.
  2. NASA Science, «Total Solar Eclipse on August 12, 2026», consultado em 30 de julho de 2026. Fonte oficial para a ponta muito noroeste de Portugal, a diferença entre fases total e parcial, a baixa altura do Sol e a tabela local de Lisboa: 18:39, 19:36, 95% e 20:29.
  3. NASA Science, «Eclipse Viewing Safety», consultado em 30 de julho de 2026. Fonte oficial para proteção durante fases parciais, inspeção dos visores, inadequação de óculos de sol, projeção indireta e filtros colocados à frente de câmaras, telescópios e binóculos.
  4. NASA Science, «NASA Science Soars During August Total Solar Eclipse», atualizado e consultado em 30 de julho de 2026. Fonte oficial para as quatro câmaras do WB-57, registo visível e infravermelho, cadência mínima, observação aérea e projetos de balões na Islândia e em Espanha.
  5. NASA Goddard Space Flight Center, «Path of the Total Solar Eclipse of 2026 Aug 12», consultado em 30 de julho de 2026. Tabela técnica para a duração máxima global de 2 min 18,2 s e a cautela de 1–3 km nas bordas quando o perfil de montanhas e vales lunares não é incluído.
  6. International Organization for Standardization, «ISO 12312-2:2015, Filters for direct observation of the sun», consultado em 30 de julho de 2026. Fonte normativa para o âmbito dos produtos afocais destinados à observação direta do Sol; a página indica que esta edição continua publicada e está em revisão.

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Rafael Gomes, Editor, edição em português na Sona News
Escrito por
Rafael Gomes
Editor, edição em português, Sona News

Rafael Gomes edita a edição em português da Sona News e cobre economia, tecnologia e clima para leitores lusófonos.

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