Eclipse amanhã: sem óculos certificados, use projeção
O máximo ocorre perto das 19h30. A visão direta exige filtros ISO 12312-2 com marcação CE; para crianças pequenas ou sem proteção verificada, a alternativa é projetar o crescente sem olhar para o Sol.

<strong>Se chegou à véspera do eclipse sem óculos certificados, não tente compensar com um filtro caseiro.</strong> Em Portugal, o fenómeno de 12 de agosto começa ao fim da tarde, aproxima-se do máximo às 19h30 e termina já com o Sol muito baixo. A solução prática para quem não consegue verificar a proteção é simples: virar as costas ao Sol e acompanhar o crescente por projeção, sem olhar pelo orifício.
O <a href="https://www.dgs.pt/em-destaque/eclipse-solar-recomendacoes-dgs-para-uma-observacao-em-seguranca-.aspx" target="_blank" rel="noopener noreferrer">aviso publicado pela Direção-Geral da Saúde</a> situa o processo aproximadamente entre as 18h33 e as 20h23, com uma ocultação máxima inferior a meio minuto na pequena zona de totalidade. Os horários variam com o local. O portal nacional <a href="https://eclipse2026.pt/dia-do-eclipse/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Eclipse 2026 permite consultar o distrito</a> e recomenda um horizonte desobstruído para oeste.
Um Sol quase tapado continua a exigir proteção
A maior parte do país verá um eclipse parcial muito profundo. Apenas uma pequena área do Parque Natural de Montesinho, em Bragança, entra na totalidade, durante cerca de 26 segundos. Uma ocultação de 99% não é totalidade: continua visível uma fração brilhante do disco solar. Não use o escurecimento do ambiente, a reação da multidão ou um horário aproximado para decidir quando a proteção deixa de ser necessária.
A retina pode ser lesada sem produzir dor imediata. Reduzir o brilho até os olhos parecerem confortáveis não prova que a radiação foi filtrada. Por isso, a DGS exclui óculos de sol padrão, polarizados ou escuros. Também não improvise com radiografias, vidro fumado, película fotográfica, CDs, embalagens metalizadas ou várias camadas de material translúcido.
O que verificar nos óculos de eclipse
Para observação direta, a DGS indica óculos especializados que respeitem a norma internacional <strong>ISO 12312-2</strong> e tenham marcação CE. A página de segurança do portal Eclipse 2026 acrescenta uma verificação de rastreabilidade: fabricante ou importador identificado, número de lote, instruções num idioma da União Europeia, referência ao Regulamento (UE) 2016/425 e acesso à declaração de conformidade.
Uma sigla impressa não deve ser tratada como garantia isolada. Prefira equipamento de origem rastreável e confirme as instruções do fabricante. Antes de sair, examine as duas janelas do visor sob luz ambiente, sem o apontar ao Sol: furos, riscos, vincos, separação do filtro ou outro dano são motivo para não o usar. O visor deve cobrir os dois olhos e manter-se estável.
- <strong>Prepare-se antes de olhar:</strong> pare num local estável, sem caminhar, conduzir ou procurar o Sol pelo telemóvel.
- <strong>Cubra primeiro os olhos:</strong> coloque o visor e confirme que as duas janelas estão no sítio antes de levantar a cabeça.
- <strong>Faça observações breves:</strong> siga o limite e as pausas indicados nas instruções do fabricante.
- <strong>Saia da linha do Sol:</strong> baixe ou vire a cabeça completamente antes de retirar o visor.
Para crianças pequenas, a orientação é mais conservadora
A DGS diz que crianças pequenas nunca devem olhar diretamente para o Sol, mesmo usando óculos de eclipse. O problema não se resolve apenas entregando um par: a criança pode espreitar por cima, tirar o visor cedo ou não conseguir mantê-lo ajustado. Para este grupo, escolha uma caixa de projeção, as imagens formadas sob folhas de árvores ou um evento supervisionado com ecrã. Uma transmissão oficial é melhor do que uma experiência direta mal controlada.
Como observar com uma caixa pinhole sem olhar pelo buraco
O recurso educativo do <a href="https://eclipse2026.pt/recursos/1290/como-construir-uma-caixa-pinhole" target="_blank" rel="noopener noreferrer">portal Eclipse 2026 recomenda a caixa pinhole</a> para crianças pequenas e grupos. A <a href="https://science.nasa.gov/eclipses/safety/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">NASA descreve o mesmo princípio</a>: um pequeno orifício deixa entrar a luz e forma a imagem do Sol numa folha branca colocada no interior ou numa superfície à frente.
Monte e teste o projetor ainda sem procurar o astro. Tape uma folha de alumínio sobre uma abertura numa extremidade da caixa, faça nela um orifício pequeno e liso e fixe papel branco na face interior oposta. No exterior, fique de costas para o Sol e ajuste a caixa pela sombra até surgir no papel um pequeno disco, ou crescente durante o eclipse. Olhe apenas para a imagem projetada. <strong>Nunca aproxime o olho do orifício nem o use como visor.</strong>
Uma alternativa ainda mais simples usa um cartão perfurado e outro cartão branco como ecrã. Com o Sol atrás de si, deixe a luz atravessar o furo e mova o ecrã até a projeção ficar nítida. Um escorredor também pode criar vários pequenos crescentes no chão. Estas imagens podem parecer discretas, mas permitem ver a Lua avançar sem expor os olhos à fonte luminosa.
Óculos no rosto não protegem uma câmara ou binóculos
Não olhe por binóculos, telescópio ou visor óptico usando apenas óculos de eclipse. As lentes concentram a luz antes de ela chegar ao filtro junto aos olhos e podem danificar o material e a visão. Esses aparelhos precisam de um filtro solar compatível, fixado na frente da objetiva. Se não domina o equipamento, guarde-o e participe numa observação organizada por especialistas.
O telemóvel também não transforma a observação em indireta quando a pessoa continua a alinhar o rosto com o Sol. Evite enquadrar a olhar por cima do aparelho e não fixe acessórios improvisados na lente. Para registar o ambiente, fotografe as sombras em crescente, as reações ou a projeção; não precisa de apontar diretamente para o disco solar.
Se notar uma alteração visual depois
A <a href="https://www.aao.org/salud-ocular/consejos/think-you-hurt-your-eyes-watching-eclipse" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Academia Americana de Oftalmologia</a> explica que uma lesão da retina pode não doer e que os sintomas podem aparecer horas depois. Visão desfocada, uma mancha no centro, linhas que parecem curvas, sensibilidade anormal à luz ou mudança na perceção das cores justificam avaliação por um oftalmologista. Se houver perda súbita ou importante de visão, procure atendimento urgente e não conduza.
A verificação final demora menos do que a espera pelo máximo
Confirme o horário da sua localidade, escolha um lugar autorizado com vista para oeste e defina antes quem supervisiona as crianças. Leve água, proteção para a exposição solar e uma alternativa indireta. Se faltar um visor rastreável, se o filtro estiver danificado ou se ninguém souber operar a ótica, não há decisão de última hora a tomar: use a projeção ou acompanhe a transmissão.
O eclipse será curto no horizonte, mas a regra não muda com a pressa. Proteção especializada e intacta para a visão direta; Sol atrás das costas para a projeção; nenhum filtro improvisado. Preparar essa sequência hoje evita que a curiosidade de amanhã dependa de um gesto irreversível.
Nota editorial. Informação geral de prevenção, não diagnóstico nem aconselhamento médico ou técnico individual. Horários, acessos, meteorologia e instruções dos organizadores podem mudar; confirme a sua localidade no portal Eclipse 2026. Se notar alteração visual após olhar para o Sol, interrompa a exposição e procure avaliação oftalmológica; perante perda súbita ou importante de visão, procure atendimento urgente.
Fontes
- Direção-Geral da Saúde, “Eclipse Solar: recomendações DGS para uma observação em segurança”, consultado em 11 de agosto de 2026. Fonte oficial para horários gerais, ISO 12312-2, marcação CE, sequência de colocação e orientação para crianças pequenas.
- Eclipse 2026 / Ciência Viva, “Observar em Segurança”, consultado em 11 de agosto de 2026. Fonte nacional para risco ocular, rastreabilidade dos visores, verificação de danos e métodos indiretos.
- Eclipse 2026 / Ciência Viva, “Dia do Eclipse”, consultado em 11 de agosto de 2026. Fonte nacional para visibilidade, circunstâncias por distrito, horizonte oeste e duração da totalidade em Montesinho.
- NASA Science, “Eclipse Viewing Safety”, consultado em 11 de agosto de 2026. Fonte técnica para projeção pinhole, ótica com filtro frontal, inspeção dos visores e proteção durante fases parciais.
- American Academy of Ophthalmology, “Think You Hurt Your Eyes Watching the Eclipse?”, consultado em 11 de agosto de 2026. Fonte clínica para ausência de dor imediata, sintomas visuais e necessidade de avaliação.
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